Aquelas conversas de velhos

- Image by Chourka Glogowski via Flickr
É muito provável que se decidirmos ir dar uma volta em qualquer zona de Portugal encontremos uma esquina, e é muito provável que nessa esquina esteja um café javardo, e é muito mesmo muito provável que nesse café javardo esteja uma data de velhos reformados a jogar à sueca e a ter conversas interessantíssimas sobre o estado do tempo.
Os velhos que habitam cafés (…literalmente) um bocadinho mais intelectuais têm conversas do estilo “o Sócrates anda a roubar” e “a Manuela Ferreira Leite é gira” e “O Pinto da Costa é o maior”, and so on…
Os velhos um bocadinho mais intelectuais que isso têm conversas do estilo “este governo é uma injustiça” e “o seguro de saúde cobriu-me 0,75 cêntimos do preço dos meus óculos”…
E os velhos um bocadinho de nada mais intelectuais que estes anteriores são capazes de chegar ao tópico “a Democracia é uma injustiça”.
Para nós que nascemos nos finais do século XX e estamos a passar pela provável esquina com o provável café e a ouvir as prováveis conversas de velhos, é fácil pensar “haha… nem vou argumentar senão começa uma discussão parva que nunca mais acaba com argumentos do tipo «estes olhos já viram mais do que os teus»”…
E não digo que não estamos a sobrestimar os velhos que têm estas conversas… Estamos… de tudo o que é pior, já foi comprovado nas aulas de história e nos filmes que a Democracia é o sistema menos pior…
No entanto, constatei hoje que a Democracia perde dois pontos: (More …)
António 20:49 on 29 de September de 2009 Permalink |
Ó JJ, tu és um verdadeiro fenómeno, há que dizê-lo…
Do PIB chinês partes para uma mais-valia no mercado cambial
É um raciocínio simples, até fácil de perceber, e que pela sua simplicidade faz corar de inveja muitos “iluminados” que por aí andam LOL
Mas adiante, o excesso de capacidade instalada não é uma novidade na China. Ainda há uns dois anos, numa conversa com um analista de Emerging Markets de uma grande casa de investimento, dizia-me este analista que os chineses tinham como objectivo – por muito estranho e irracional que pareça aos Ocidentais – maximizar o output e não o lucro….
É uma espécie de corrida para ver quem produz mais…
Outra coisa interessante é que os chineses, como dizes e muito bem, dispõem de um montante gigantesco de reservas de divisas estrangeiras, sobretudo de dólares… Além disso, andaram nos últimos anos a comprar “paletes” de dívida pública dos EUA, os chamados treasuries, o que levou até o presidente do Banco Central da China a questionar, a dada altura, a capacidade dos EUA honrarem os seus compromissos…
Enfim, muita coisa para discutir… Gostei, continua assim, abraço
António
Muito obrigado pelo feedback positivo
Pois é verdade, no fundo este artigo não tem mesmo nada de novo… E adorei essa do “maximizar o output e não o lucro”, nunca me tinha passado pela cabeça xD…
Pois é lol agora tou a ver que me esqueci de falar sobre os títulos do tesouro americano lol e até tive a investigar isso ontem para o artigo e tudo… Mas essa do presidente do Banco Central da China questionar-se sobre a capacidade dos EUA honrarem o compromisso não sabia mesmo lol… Mas já me questionava eu próprio, aliás, foi tema de debate numa aula de introdução à macroeconomia por volta de Abril do ano passado, quando o Professor Jorge Braga de Macedo apresentou o tema no programa dele na TVI (ele discutia os temas todos do programa lá nas aulas, já tinhamos terminado a matéria na 3ª semana de aulas lool)
Obrigado, outro!